« UMA LUZ CORDIAL », OU L’EXHIBITION INSUPPORTABLE DE L’EGOCENTRISME DE SON AUTEURE

FESTIVAL D’AUTOMNE. UMA LUZ CORDIAL – Carolina Bianchi – Odéon Théâtre de l’Europe – Du 25 septembre au 2 octobre 2026 – Inclus dans la trilogie complète, « Trilogia Cadela Força » donnée du 19 au 27 septembre, même lieu.

Alors, comment rendre compte de ce « spectacle », sans se départir du calme et de la distance qui conviendrait à un chroniqueur respectueux de l’art et des artistes, ici totalement abasourdi par la vacuité et l’incongruité de ce tapage inutile et putassier ?

Commençons par le commencement : depuis 1968 et les provocs bon enfant et raccord avec leur époque du Living Théâtre, le Festival d’Avignon en a vu passer des comédiens à poil, des chattes et des bites exhibées. Cela n’a jamais choqué les véritables amateurs de théâtre, et « dieu » sait que depuis Julian Beck et ses amis, on a en a vu beaucoup.

Ce qui nous étonne, c’est que la si jeune et innocente Carolina Bianchi n’en ait jamais été informée. En tout cas, elle qui adore faire étalage de sa « culture » et de ses références littéraires qu’elle tartine à l’envi, aurait-elle pu s’irriguer a minima de l’histoire de ce festival et se pencher sur l’histoire du théâtre en général, surtout en osant affronter le public madré du IN à qui on ne la fait pas…

Cela aurait peut-être pu lui éviter cette exhibition indécente de sa propre mégalomanie et de son arrivisme exacerbé affiché en projet artistique. Et nous aurait épargné ce pensum bavard et indigeste à la gloire de madame Bianchi, dont on se contrefiche jusqu’au trognon des états d’âme et des obsessions d’artifice.

Car artificiel est bien le terme qui caractérise ce troisième opus de sa trilogie, consacrée à sa relation obsessionnelle au sexe et à sa propre histoire, qu’elle inflige sans ciller aux spectateurs. Carolina Bianchi en reine du cul et en princesse de l’autobiographie. Mensonge. Forfaiture. Madame Bianchi n’est que duperie et artifice. Une marionnette, à l’instar de celle qu’elle fait manipuler dans un des tableaux de ce radeau de la méduse. Une marionnette engagée dans un processus d’auto-célébration qui n’intéresse qu’elle.

Mais venons-en à l’objet Uma Luz Cordial, en une brève description : au plateau, pénombre généralisée, à l’exception d’un écran destiné à distiller les innombrables sur-titres de la logorrhée interminable de madame Bianchi. Dans cette pénombre, on devine quelques formes humaines qui s’agitent, copulant ou faisant comme si. Parfois l’une ou l’un d’entre ces brillants acteurs vient exhiber qui une chatte, qui une bite, bien planté en avant sur le proscenium. histoire qu’on comprenne bien ce dont il s’agit. L’écran par moment s’illumine d’une décharge stroboscopique sur-vitaminée, tandis que la sono grondante, surpuissante, explose sporadiquement en décibels…

Bref, un truc parfaitement imbitable -c’est le mot- sans dramaturgie aucune, sans cohérence, une enfilade de « tableaux » tous plus abscons les uns que les autres, qui s’enchaînent sur deux heures et demi, épuisant le spectateur, annihilant les cerveaux. La seule constante étant le débit verbal de l’autrice, qui se vit en alter-ego d’écrivaine (!), et nous abreuve de ses références littéraires convenues, histoire une fois encore de nous convaincre de l’acuité de sa culture… Tout y passe : de Hilda Hirst poétesse et pornographe brésilienne à Emily Dickinson et Pessoa (évidemment, pour une lusophone), d’Henry Miller à Antonin Artaud, et on en passe des poignées… Une litanie écoeurante « d’érudition » littéraire, un véritable catalogue à donner le vertige, d’autant que tout ceci est surtitré en deux langues, qui défilent sur l’écran à vitesse grand V… Toujours avec le background de gens qui se tripotent dans le noir et la « musique » tonitruante. Physiquement, c’est éprouvant.

Pour couronner le tout, un des derniers tableaux nous inflige une séquence récitée pédo-pornographique, tout à fait gratuite, sur-jouée, très difficile à supporter, même pour les plus aguerris.

Bref, vous l’aurez compris, ce truc sans queue (si hélas) ni tête n’a aucune justification. C’est juste de l’esbrouffe, de la provoc facile, à la gloire de la « grande » performeuse que s’imagine être Carolina Bianchi.

Soyons clair : nous adorons le théâtre sexualisé qui nous provoque et interpelle, De Jan Fabre à Angélica Liddell, nous aimons celles et ceux qui nous interpellent, y compris en nous infligeant des scènes radicales où masturbation et exhibition au plateau font partie de la construction dramatique. Tout comme l’autobiographie érigée en moteur du spectacle. Mais tout ceci doit faire sens, construire le récit dramatique. Tout cela doit se justifier. Ici, hélas, c’est tout le contraire : de la provoc pour la provoc, du soi-disant « porno » d’un autre âge, inutile et vain, au profit de l’ego démesuré d’une autrice qui se la pète. Pour rien.

N’est pas Angélica Liddell qui veut.

Marc Roudier

Vu (hélas) le 5 juillet 2026 au 80e Festival d’Avignon

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UMA LUZ CORDIAL – Carolina Bianchi – Odéon Théâtre de l’Europe – De 25 de setembro a 2 de outubro de 2026 – Incluída na trilogia completa, “Trilogia Cadela Força” apresentada de 19 a 27 de setembro, mesmo local.

Como, então, podemos relatar esse « espetáculo » sem perder a calma e o distanciamento que seriam apropriados para um cronista respeitoso da arte e dos artistas, aqui totalmente atônito com o vazio e a incongruência desse alvoroço inútil e de mau gosto?

Comecemos pelo princípio: desde 1968 e as brincadeiras bem-humoradas e provocativas do Teatro Vivo, tão em sintonia com os tempos, o Festival de Avignon já viu a sua quota-parte de atores nus, vaginas e pénis expostos. Isto nunca chocou os verdadeiros amantes do teatro, e Deus sabe que desde Julian Beck e os seus amigos, já vimos muito disso.

O que nos surpreende é que a jovem e inocente Carolina Bianchi nunca tenha sido informada disso. Em todo caso, ela, que adora ostentar sua « cultura » e suas referências literárias, que ela enumera longamente, poderia ao menos ter se familiarizado com a história deste festival e se aprofundado na história do teatro em geral, especialmente considerando sua ousadia em se apresentar para o público experiente do IN (Instituto Nacional de Artes Dramáticas), que não se deixa enganar facilmente…

Isso talvez o tivesse poupado dessa exibição indecente de sua própria megalomania e ambição desenfreada, apresentada como um projeto artístico. E teria nos poupado desse discurso prolixo e indigesta glorificando Madame Bianchi, cujos estados emocionais e obsessões com o artifício não nos interessam nem um pouco.

Artificial é, de fato, a palavra que caracteriza esta terceira parte de sua trilogia, dedicada à sua relação obsessiva com o sexo e com sua própria história, que ela impõe ao público sem pestanejar. Carolina Bianchi como a rainha do sexo e a princesa da autobiografia. Mentiras. Traição. Madame Bianchi não é nada além de engano e artifício. Uma marionete, como aquela que ela manipula em uma das cenas de A Jangada da Medusa. Uma marionete envolvida em um processo de autocelebração que interessa apenas a ela mesma.

Mas vamos à  produção da Uma Luz Cordial em si,  numa breve descrição: no palco, uma penumbra geral, exceto por uma tela exibindo as inúmeras legendas do interminável monólogo da Sra. Bianchi. Nessa penumbra, é possível distinguir algumas figuras humanas se movimentando, copulando ou fingindo. Ocasionalmente, um desses atores brilhantes exibe uma vagina ou um pênis, firmemente posicionado na frente do palco, só para que entendamos o que está acontecendo. A tela ocasionalmente se ilumina com um flash estroboscópico superpotente, enquanto o sistema de som estrondoso e exagerado explode esporadicamente em decibéis…

Em suma, uma coisa completamente incompreensível — essa é a palavra — sem dramaturgia alguma, sem coerência, uma série de « cenas », cada uma mais abstrusa que a anterior, que se sucedem por duas horas e meia, exaurindo o espectador, aniquilando o cérebro. A única constante é a fala acelerada da autora, que se vê como o alter ego de uma escritora (!), bombardeando-nos com suas referências literárias convencionais, tentando mais uma vez nos convencer da profundidade de sua erudição… Vale tudo: de Hilda Hirst, a poeta e pornógrafa brasileira, a Emily Dickinson e Pessoa (claro, para uma falante de português), de Henry Miller a Antonin Artaud, e a lista continua… Uma ladainha nauseante de « erudição » literária, um verdadeiro catálogo que dá vertigem, especialmente porque tudo é legendado em dois idiomas, que piscam na tela em velocidade vertiginosa… Sempre com o pano de fundo de pessoas se apalpando na escuridão e ao som de uma « música » estrondosa. Fisicamente, é exaustivo.

Para piorar ainda mais a situação, uma das últimas cenas nos impõe uma sequência pedófila-pornográfica recitada, completamente gratuita, exagerada e muito difícil de suportar, mesmo para os mais experientes.

Resumindo, como você provavelmente já percebeu, essa coisa sem sentido (infelizmente) não tem justificativa alguma. É apenas um blefe, uma provocação barata, glorificando a « grande » artista que Carolina Bianchi imagina ser.

Sejamos claros: adoramos teatro sexualizado que nos provoca e desafia. De Jan Fabre a Angélica Liddell, amamos aqueles que nos desafiam, mesmo que isso signifique nos submeter a cenas radicais onde a masturbação e o exibicionismo em cena fazem parte da estrutura dramática. Assim como a autobiografia usada como força motriz da performance. Mas tudo isso precisa fazer sentido, precisa construir a narrativa dramática. Tudo isso precisa ser justificado. Aqui, infelizmente, é justamente o oposto: provocação pela provocação, o chamado « pornô » de outra época, sem sentido e fútil, servindo apenas ao ego desmedido de um autor presunçoso. Para nada.

Nem todo mundo pode ser Angélica Liddell.

Marc Roudier

Photo C. Raynaud De Lage / Festival d’Avignon

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